Atuação em Flagrante
Audiência de custódia: o que pode acontecer?
Entenda a audiência de custódia, o que o juiz avalia e quais cuidados a família deve tomar depois da prisão em flagrante.
Resumo em 3 pontos
A resposta depende da fase do caso, dos documentos existentes e dos riscos concretos.
Preservar provas, prazos e informações objetivas costuma ser decisivo em matéria criminal.
Conteúdo informativo ajuda a entender o tema, mas não substitui análise individualizada.
A audiência de custódia é um dos momentos mais importantes após uma prisão. Nela, a pessoa presa é apresentada a um juiz, acompanhada por advogado particular ou defensor público, com a participação do Ministério Público.
O objetivo principal não é decidir definitivamente se a pessoa cometeu o crime. A audiência serve para verificar se a prisão foi legal, se houve violência ou abuso, se a pessoa precisa continuar presa e se medidas menos graves podem ser aplicadas.
Ao final, o juiz poderá:
- relaxar uma prisão considerada ilegal;
- conceder liberdade provisória sem medidas cautelares;
- conceder liberdade provisória com medidas cautelares;
- arbitrar ou manter fiança, quando cabível;
- converter a prisão em flagrante em prisão preventiva;
- substituir a prisão preventiva por prisão domiciliar, em hipóteses específicas;
- adotar providências diante de relatos de tortura ou maus-tratos.
O que é audiência de custódia?
A audiência de custódia é o ato no qual a pessoa presa é apresentada à autoridade judicial para que sejam examinadas rapidamente a legalidade e a necessidade da prisão.
A audiência de custódia é o julgamento do crime?
Não.
Na audiência de custódia, o juiz não deve decidir definitivamente se a pessoa é culpada ou inocente.
O que acontece antes da audiência?
Antes da audiência, o juiz recebe o auto de prisão em flagrante, que normalmente contém:
- boletim de ocorrência;
- depoimentos dos policiais;
- declarações da vítima;
- depoimentos de testemunhas;
- interrogatório ou registro do silêncio do preso;
- autos de apreensão;
- laudos preliminares;
- informações sobre os objetos encontrados;
- registros sobre eventual fiança;
- antecedentes e consultas processuais;
- documentos relacionados à prisão.
Quem participa da audiência?
Normalmente participam:
- o juiz;
- a pessoa presa;
- o representante do Ministério Público;
- o advogado particular ou defensor público;
- servidores responsáveis pelo ato;
- intérprete, quando necessário.
O que o juiz pergunta na audiência de custódia?
As perguntas podem envolver:
- nome, idade e demais dados pessoais;
- endereço;
- trabalho ou atividade profissional;
- estudos;
- filhos e outros dependentes;
- gravidez;
- doenças;
- medicamentos de uso contínuo;
- deficiência;
- circunstâncias da abordagem;
- local e horário da prisão;
- comunicação com familiares;
- acesso a advogado;
- existência de agressões, ameaças ou maus-tratos.
O preso é obrigado a responder?
A pessoa presa possui direito ao silêncio.
O Ministério Público e a defesa podem se manifestar?
Sim.
O Ministério Público poderá pedir prisão preventiva ou outras providências. A defesa poderá requerer relaxamento, liberdade provisória, cautelares menos graves, prisão domiciliar ou outras medidas.
O que o juiz analisa?
O juiz deve examinar duas questões principais:
1. A prisão foi legal? 2. A pessoa precisa continuar presa?
Primeiro resultado possível: relaxamento da prisão
O relaxamento ocorre quando o juiz reconhece que a prisão é ilegal.
Segundo resultado possível: liberdade provisória sem cautelares
Se a prisão foi legal, mas não estiverem presentes os requisitos da prisão preventiva, o juiz deverá conceder liberdade provisória.
Terceiro resultado possível: liberdade provisória com medidas cautelares
O juiz poderá colocar a pessoa em liberdade, mas impor obrigações destinadas a controlar riscos concretos.
Entre as medidas cautelares estão:
- comparecimento periódico em juízo;
- proibição de frequentar determinados lugares;
- proibição de manter contato com a vítima ou testemunhas;
- proibição de sair da comarca;
- recolhimento domiciliar noturno;
- suspensão de função pública;
- fiança;
- monitoração eletrônica;
- proibição de sair do país;
- entrega do passaporte.
Quarto resultado possível: conversão em prisão preventiva
O juiz poderá converter o flagrante em prisão preventiva quando estiverem presentes os requisitos legais e as medidas cautelares menos graves forem consideradas inadequadas ou insuficientes.
Crime grave significa prisão preventiva automática?
Em regra, não.
A gravidade do crime pode ser considerada, mas a prisão preventiva exige fundamentação concreta.
Crime inafiançável significa que a pessoa continuará presa?
Não necessariamente.
Crime inafiançável significa que não será possível obter liberdade mediante pagamento de fiança. Isso não elimina automaticamente a possibilidade de liberdade provisória sem fiança.
O que é fiança na audiência de custódia?
A fiança é uma garantia financeira que pode ser fixada para permitir ou manter a liberdade da pessoa, sujeitando-a ao cumprimento de determinadas obrigações.
É possível prisão domiciliar?
Sim, em determinadas situações.
O que acontece quando o preso denuncia agressão?
A pessoa deve relatar qualquer:
- agressão;
- ameaça;
- coação;
- tortura;
- uso desnecessário de força;
- falta de atendimento médico;
- pressão para confessar ou assinar documentos.
Quais documentos ajudam na audiência?
A família e a defesa devem reunir rapidamente:
- documento de identidade;
- comprovante de residência;
- carteira de trabalho;
- comprovantes de renda;
- contrato de trabalho;
- declaração do empregador;
- comprovantes de atividade autônoma;
- matrícula em instituição de ensino;
- certidões de nascimento dos filhos;
- documentos de dependentes;
- receitas médicas;
- laudos e relatórios de saúde;
- documentos sobre gravidez;
- comprovantes de responsabilidade por dependentes.
O que não fazer antes da audiência?
A pessoa presa e seus familiares devem evitar:
- combinar versões;
- procurar a vítima;
- pressionar testemunhas;
- apagar mensagens;
- esconder objetos;
- publicar explicações nas redes sociais;
- apresentar documentos falsos;
- mentir sobre endereço ou trabalho;
- orientar terceiros a modificar depoimentos;
- ocultar informações do advogado.
Se o juiz conceder liberdade, a pessoa sai imediatamente?
Em regra, após o relaxamento da prisão ou a concessão de liberdade provisória, deverá ser expedido o alvará de soltura, e a pessoa deve ser prontamente liberada, salvo se existir outro motivo legal para mantê-la presa.
O que acontece depois da liberdade?
A investigação ou o processo poderá continuar normalmente.
E se o flagrante for convertido em prisão preventiva?
A defesa poderá avaliar:
- pedido de revogação da preventiva;
- substituição por medidas cautelares;
- prisão domiciliar;
- pedido de reconsideração;
- habeas corpus;
- apresentação de documentos novos.
Conclusão
A audiência de custódia é o primeiro controle judicial efetivo da prisão e pode definir se a pessoa continuará presa ou responderá à investigação em liberdade.
Os principais resultados são:
- relaxamento da prisão ilegal;
- liberdade provisória sem cautelares;
- liberdade provisória com cautelares;
- fiança;
- prisão domiciliar;
- conversão do flagrante em prisão preventiva;
- providências relacionadas a tortura ou maus-tratos.
Cada audiência depende dos fatos específicos, da legalidade da prisão, do crime atribuído, dos riscos identificados e das condições individuais da pessoa presa.
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